MAP | Museu de Arte Postal Considera-se o ano de 1962 como marco para a Arte Postal (Mail Art), com a criação do New York Correspondance School of Art por Ray Johnson, artista norte-americano que formalizou o serviço de correios como forma de difusão, integração entre artistas das mais longínquas partes do globo terrestre¹. Marcel Duchamp já trocara postais e correspondências como objetos estéticos, tendo sido tanto os artistas dadaístas e quanto os futuristas os precursores dessa experiência estética: os cartões-postais. Arte postal como possibilidade aberta de intervenção livre do outro nas obras, ao mesmo tempo em que se amalgamavam idéias como a não comercialização e a noção de uma rede mundial que antecipa a grandiosidade de interrelações que vivemos na era digital.

A Arte Postal foi revolucionária em países sujeitos a enorme controle estatal que comumente cerravam as portas das galerias e espaços institucionais expositivos para artistas com idéias divergentes do poder. Ela servia como via expressa para circular conceitos, idéias, críticas e até mesmo relatos de vida em forma de objeto estético vulgar, os postais. Objetos não comercializados, enviados de boa vontade, com intenções de se fazer ouvir por alguém geograficamente distanciado.

Por que então fazer um museu virtual de Arte Postal em tempos em que a arte descobriu, com a virtualidade e inovações do mundo digital, novas formas de circulação, mais rápidas e eficientes? Será um desejo de fixar-se à tradição e a um passado recente atropelado pelas inovações técnicas?

Essas perguntas podem não ser respondidas em sua totalidade porque sempre haverá brechas para a discussão e o debate sobre a importância ou não de ações estéticas ou no campo da arte. O que permanece como norte que nos impulsionam a realizar a empreitada do MAP é aderir por inteiro às possibilidades de circulação da arte, propiciando, de forma harmônica, a aliança entre o virtual e o palpável na atualidade. O Museu existirá no mundo virtual, mas os postais circularão pelas bolsas dos carteiros adentrando as salas dos destinatários.

Bimestralmente, serão publicadas obras de quatro novos artistas. Toda a produção estará disponível na rede e será possível adquirir os postais escolhidos por um preço similar a um postal de bancas de jornal, com um diferencial: eles terão tiragem de 1.000 exemplares e serão assinados, agregando valor e autenticidade ao objeto estético. O preço ínfimo tem a intenção de provocar e tensionar o mercado de arte e suas relações, não no intuito panfletário de pregar a derrocada das galerias e galeristas, mas como possibilidade de refletir sobre suas funções e atuações, apresentando espaços mais livres e terceiras vias para artistas atuarem.

É evidente que essa prática do museu de lançar quatro artistas a cada bimestre pode vir a estimular o colecionismo, mas de forma mais democrática. Com pouco dinheiro será possível adquirir obras de artistas com respeitabilidade e boas marcas no mercado de arte, inatingíveis pelo homem de renda mediana. Para estimular que essas compras sejam feitas individualmente, sem especulação e concentração de obras postais nas mãos de poucos, será enviado até dez postais para cada comprador/colecionador vinculado a um CPF ou ID.

Essa idéia, o MAP, é uma realização de artista, por iniciativa e devaneio de artista, somente possível com a participação dos colegas, fazendo com que o Museu não tenha dono e seja de todos. Os recursos advindos das vendas serão divididos entre artista e museu, sendo que a parte do museu visa gerar uma receita que possibilite pagar os custos do mundo virtual e de impressão, impostos e envio de postais. O Museu é pensado de fato como uma obra realizada em parceria com todos os artistas participantes.

Marco Antonio Portela
idealizador e coordenador do Museu de Arte Postal
http://www.museudeartepostal.com.br
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